Pesquisa com peixinho similar geneticamente com os humanos pode ajudar no desenvolvimento de novos medicamentos


Segundo os pesquisadores, nanopartícula mostrou-se promissora para ser testada em ligações com fármacos e tem potencial para atuar, por exemplo, no tratamento do câncer. De acordo com pesquisadores, peixe utilizado nos teste tem cerca de 70% de similaridade genética com os humanos
Fernando Evans/G1
Com a ajuda de um peixinho que possui 70% de similaridade genética com os humanos, cientistas do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), em Campinas (SP), testaram um nanomaterial capaz de se ligar a moléculas e proteínas com potencial para aplicação futura nas áreas de saúde, biotecnologia e meio ambiente.
Na avaliação dos cientistas, a nanopartícula mostrou-se promissora para o desenvolvimento de novos medicamentos e aplicações para tratamento de câncer, na busca por diagnósticos, além de remoção e detecção de poluentes ambientais.
Para analisar a toxicidade e a possibilidade de uso do componente, os pesquisadores adicionaram propriedades magnéticas e de luminescência à nanopartícula, que tem um tamanho menor que de uma célula, e puderam acompanhar a interação no organismo vivo desde a fase embrionária.
De acordo com o pesquisador Carlos Pérez, um dos responsáveis pelo estudo, nessa fase foi possível comprovar a baixa toxicidade da nanopartícula, que não foi destruída nem se biotransformou no organismo do peixe conhecido popularmente como “paulistinha”.
“Isso é bom para potenciais aplicações no futuro. Com a propriedade magnética, podemos tentar levar a substância para alguma região específica do organismo, liga-la a algum fármaco”, projeta Gabriela Helena da Silva, que realiza o trabalho de pós-doc no LNNano.
Imagem de microscópio digital mostra presença do nanomaterial no organismo do embrião do peixe
Fernando Evans/G1
Do que é feito e como foi testado?
A nanoestrutura testada foi sintetizada com o uso de óxido de ferro, íons de elementos lantanídeos e juntamente com o biopolímero quitosana, extraído do exoesqueleto de crustáceos.
Os cientistas do LNNano, que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), analisaram índices de mortalidade, comprimento, malformação, inchaço e taxa de eclosão nos embriões de peixes testados e, mesmo em exposições à altas concentrações, os resultados obtidos foram “satisfatórios”.
“O que observamos foi taxas de mortalidade ou malformação dentro dos parâmetros que a espécie tem no meio-ambiente, sem qualquer alteração”, destaca a doutoranda Aline Maria Zigiotto de Medeiros.
Para analisar a dinâmica de todo o processo e a bioacumulação das nanopartículas no organismo dos embriões, os pesquisadores utilizaram o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).
“As análises permitiram fazer o mapeamento químico de nanopartículas nos sistemas biológicos e avaliar de maneira quali e quantitativa a distribuição e composição de elementos químicos em tecidos biológicos, com alta resolução espacial e sensibilidade analítica”, explica Pérez.
Carlos Pérez utilizou o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron para fazer o mapeamento químico das nanopartículas nos peixinhos
Fernando Evans/G1
A expectativa do grupo é que os próximos passos possam contar com o uso do Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração que irá substituir o acelerador em uso. Com o superlaboratório, os experimentos poderão ser realizados em menor espaço de tempo, com maior qualidade e quantidade de dados obtidos.
Recentemente, pesquisados obtiveram as primeiras imagens de materiais analisados com a luz síncrotron de 4ª geração produzida pelo Sirius.
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