Dólar fecha em queda no último pregão do ano, mas encerra 2019 com alta


Nesta segunda-feira, moeda dos EUA fechou cotada a R$ 4,0098, queda de 1,00%. No ano, a divisa acumulou alta de 3,50% Notas de dólar
Gary Cameron/Reuters
O dólar fechou em queda nesta segunda-feira (30), no último pregão do ano, mas encerrou 2019 com uma alta de 3,50%.
Nesta segunda, a moeda norte-americana recuou 1,00% em relação ao real, a R$ 4,0098. No mês, a moeda caiu 5,42%. Já o dólar turismo terminou o ano vendido perto de R$ 4,18, sem considerar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Veja mais cotações.
Veja abaixo alguns fatores que influenciaram o dólar em 2019:
Guerra comercial entre Estados Unidos (EUA) e China
Cenário político da América do Sul
Articulação política entre os poderes Executivo e Legislativo no Brasil
Queda da taxa básica de juros (Selic)
Em 2019, o dólar bateu sucessivos recordes de alta. Fabrizio Velloni, chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora, comenta que a disparada da moeda estrangeira foi puxada, principalmente após o mês de julho, pelo acirramento da guerra comercial entre os Estados Unidos (EUA) e a China, além das prévias das eleições presidenciais na Argentina.
Segundo ele, contribuíram ainda para o aumento do dólar “ruídos” vindos da cena política brasileira, com destaque para as dificuldades de articulação política entre os poderes Executivo e Legislativo.
Na máxima do ano, a moeda estrangeira chegou a alcançar o patamar de R$ 4,25, no dia 27 de novembro. Nesse período, turbulências políticas e sociais no Chile, Bolívia e Colômbia elevaram a aversão ao risco com relação aos países emergentes.
Esse cenário de incertezas regionais e globais, somado à redução da taxa básica de juros (Selic) do país, contribuíram para a saída de dólares do Brasil. Com os juros mais baixos, a relação risco-retorno ficou menos atrativa para os investidores e isso elevou a pressão sobre o nosso câmbio.
Perspectivas para 2020
Velloni comenta que, apesar da forte alta no ano, o recuo da moeda em dezembro sinaliza que o mercado começou a incorporar dados mais positivos para a economia brasileira.
Ele destaca o aumento das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, a recuperação do consumo das famílias e a redução gradual da taxa de desemprego.
“O Brasil está em uma situação macroeconômica mais estabilizada do que no final de 2018: com inflação e juros baixos”, diz Velloni. “Mantidas essas condições, a expectativa é de que o país consiga atrair investimentos para o setor produtivo em 2020”, acrescenta.
Na avaliação dele, com o governo dando continuidade à agenda de reformas estruturais, é possível que o dólar se estabilize em torno de R$ 4,00 no primeiro trimestre de 2020.
Segundo as projeções de mercado do Boletim Focus, a expectativa para a taxa de câmbio no fechamento de 2020 é de R$ 4,08 por dólar.
Além disso, há a expectativa de que os EUA e a China assinem um acordo no início de 2020, sinalizando um arrefecimento das tensões globais.