Espionagem, criptografia e eleições serão os debates para a segurança digital em 2020

As tecnologias de criptografia, a espionagem e os ataques de hackers contra empresas e eleições devem merecer atenção ao longo de 2020 – cada qual por uma razão específica.
Na questão da espionagem, o Facebook moveu uma ação judicial contra a empresa israelense NSO Group, que fabrica o aplicativo espião Pegasus. De acordo com a peça ajuizada, a NSO Group violou os termos de uso do WhatsApp e causou prejuízos para o Facebook.
A NSO Group atua em um mercado relativamente recente, oferecendo programas de espionagem governamental, supostamente voltado para uso em investigações. O produto muitas vezes acompanha todo o “kit” necessário para instalar o software espião nos computadores ou celulares dos alvos, inclusive os códigos que exploram brechas em aplicativos populares, como navegadores web e o WhatsApp.
É a primeira vez que uma empresa resolve processar diretamente a criadora da ferramenta. Seja qual for o desfecho, os desdobramentos da ação podem jogar um raio de sol sobre as atividades da NSO Group que, como outras do mesmo setor, não revela muito sobre o que faz.
O Facebook também deve aparecer nas discussões sobre criptografia. A rede social tem sido agressiva na adoção dessa tecnologia e Mark Zuckerberg prometeu ainda mais privacidade para os usuários – o que, na prática, se traduz em ainda mais criptografia.
Como a criptografia embaralha comunicações e dados, atrapalhando tanto hackers quanto autoridades policiais, o Facebook pode estar em rota de colisão com órgãos reguladores e políticos nos Estados Unidos e na Europa, da mesma forma que já aconteceu no Brasil. A velocidade da colisão dependerá da pressa do Facebook em migrar seus usuários para ambientes criptografados.
Aliás, a segurança cada vez maior de aplicativos e navegadores vem empurrando hackers para longe dos usuários. A atenção dos criminosos se volta para as empresas, que precisam tomar cuidado com vazamentos de dados, adulterações em páginas web e ataques envolvendo novas tecnologias, como a computação em nuvem. A segurança das empresas, portanto, será outro tema importante, principalmente pelo impacto na segurança dos consumidores e na confiabilidade dos serviços.
Para fechar o ano de 2020, a eleição presidencial norte-americana deve retomar com força os debates sobre a interferência estrangeira em eleições e campanhas de desinformação. As redes sociais poderão mostrar o que já aprenderam, mas talvez precisem de soluções inovadoras para combater os chamados “deepfakes”, que são conteúdos forjados por inteligência artificial.
O desafio será detectar e barrar publicações inorgânicas e falsas sem inibir o debate político legítimo, o que pode colocar a segurança digital como um dos pilares da democracia na nova década.
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