Alan Alda desafia o Parkinson e se mantém na ativa


Ator está no filme “História de um casamento” e na série “Ray Donovan” No festejado “História de um casamento”, produção da Netflix que tem chances de arrebatar muitos prêmios, é inegável o carisma e a química dos protagonistas: o casal que se separa vivido por Scarlett Johansson (Nicole) e Adam Driver (Charlie). No entanto, quero falar de um coadjuvante que é um gigante: Alan Alda, no pequeno papel de Bertz Spitz, o advogado sensato que tenta convencer Charlie a fugir das armadilhas de um divórcio litigioso. Sabe bem do que fala, porque já passou por diversos casamentos e conhece o sofrimento que a separação representa para as pessoas.
Alan Alda no papel do advogado Bertz Spitz, em “História de um casamento”
Divulgação
São poucas cenas, mas Alda as preenche com brilho. E a audiência vai notar o leve, mas perceptível tremor em suas mãos. Não se trata de um maneirismo criado para o papel. Em 2018, o ator tornou público que sofre da Doença de Parkinson, diagnosticada quatro anos antes. Ele também atua na sexta e sétima temporadas da série “Ray Donovan”, como o psiquiatra e psicanalista Arthur Amiot. Num episódio da última temporada, durante a consulta com o protagonista, Ray (Liev Schreiber), este encara o tremor contínuo nas mãos do médico e Amiot fala abertamente do Parkinson – neste caso, o do personagem. Previne o paciente de que, um dia, ele terá que ser tratado por outra pessoa. Arte e realidade se misturam.
É inspirador que Alan Alda, nome artístico de Alphonso Joseph D’Abruzzo, que completará 84 anos no fim de janeiro, continue na ativa. O Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso que afeta os movimentos e não tem cura, mas ele segue atuando enquanto for possível controlar o quadro. Sua ascensão ao estrelato se deu com a série televisiva M*A*S*H, exibida entre 1972 e 1983, baseada no filme homônimo dirigido por Robert Altman, que acabou se transformando num bem-humorado manifesto antibélico.
Em 2019, um dia antes de completar 83 anos, Alda recebeu o Screen Actor’s Guild Lifetime Achievement Award, prêmio do sindicato dos atores que homenageia os profissionais que tiveram uma carreira de excelência. Na ocasião, suas palavras emocionaram os presentes: “quando temos a oportunidade de representar, nosso trabalho é entrar na cabeça do personagem para entender seu ponto de vista e fazer com que a audiência também consiga fazer o mesmo. Nunca foi tão urgente e necessário ver o mundo através dos olhos do outro quanto numa sociedade dividida como essa na qual vivemos. Atores ajudam, pelo menos um pouco, fazendo o que fazem”.
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