Morre cientista que liderou construção do Sirius, superlaboratório brasileiro


O engenheiro e físico Antonio Ricardo Droher Rodrigues é considerado um dos pais do Sirius, em Campinas (SP). Ele já havia liderado a construção da 1ª fonte de luz síncrotron do País. Ricardo Rodrigues observa amostras metálicas no laboratório de materiais do LNLS, em 2014
Julio Fujikawa/LNLS/CNPEM
Morreu em Campinas (SP), aos 68 anos, o engenheiro e físico Antonio Ricardo Droher Rodrigues, um dos “pais” do Sirius, maior projeto científico do Brasil. Diagnosticado com câncer de pulmão em meados de 2019, lutou contra a doença sem deixar de trabalhar, tendo acompanhado a primeira volta de elétrons em todo equipamento e os primeiros testes com luz síncrotron de 4ª geração em dezembro. Rodrigues morreu no dia 3 de janeiro e seu corpo foi cremado no dia seguinte.
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Rodrigues já tinha o seu nome marcado na história da ciência brasileira por ter assumido a liderança técnica do projeto de construção da primeira fonte de luz síncrotron do Hemisfério Sul, entre os anos de 1987 a 1997, no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas.
Sirius: maior estrutura científica do país, instalada em Campinas (SP).
CNPEM/Sirius/Divulgação
Depois de um período longe do LNLS, Rodrigues voltou ao CNPEM em 2001 com o convite para participar da construção de uma nova fonte de luz síncrotron do País. Entre 2012 a 2019, coube a ele liderar a equipe que desenvolveu toda a estrutura e soluções para tirar o Sirius do papel.
Para efeito de comparação, atualmente há apenas um laboratório da 4ª geração de luz síncrotron em operação no mundo: o MAX-IV, na Suécia. Com previsão de abertura às pesquisas no final deste ano, o Sirius foi projetado para ter o maior brilho do mundo entre as fontes com sua faixa de energia.
Em nota, o CNPEM lamentou a morte do cientista, que era líder da Divisão de Engenharia do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron e Coordenador de Aceleradores do Sirius.
“Ricardo Rodrigues tinha a capacidade de unir entusiasmo, criatividade, conhecimento técnico e científico e encontrar soluções inéditas exigidas para construir equipamentos de alta sofisticação tecnológica. Ainda mais importante, era um formador de pessoas. Avesso a formalidades acadêmicas, reconhecido mundialmente como um criativo solucionador de problemas, Ricardo Rodrigues deixa saudades. Sua trajetória servirá de constante inspiração para os que, no Brasil, se dedicam a ciência, tecnologia e inovação.”
Ricardo Rodrigues (à esq.) na sala de controle da Fonte de Luz Síncrotron, em 1996
Divulgação/CNPEM
Carreira
Ricardo Rodrigues graduou-se em engenharia civil na Universidade Federal do Paraná, em 1974. Entre 1976 e 1979 fez doutorado em Física no King’s College University of London. Foi professor no curso de Física da UFPR, e ali começou as atividades no Grupo de Óptica de Raios-X e Instrumentação (GORXI), depois renomeado para Laboratório de Óptica de Raios-X e Instrumentação (LORXI), ainda em funcionamento na universidade paranaense.
Em 1984, Rodrigues foi convidado a participar do grupo de ótica do Instituto de Física e Química da USP, em São Carlos (SP), e envolveu-se desde o início com o Projeto Radiação Síncrotron, iniciado no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Foi desse projeto que nasceu o LNLS, implantado em Campinas a partir de 1987.
O equipamento projetado sob coordenação de Rodrigues operou até o final de 2019 e foi desativado com a reta final da construção do Sirius. De acordo com o CNPM, mais de 6 mil pesquisadores utilizaram o acelerador para realizar experimentos científicos.
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Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1
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