O que se sabe sobre investigação relativa à Backer e síndrome que afetou 18 pessoas em MG


De acordo com a Polícia Civil, dois lotes de Belorizontina estavam contaminados com dietilenoglicol. Substância pode ter causado síndrome nefroneural em pacientes. Em dois dias 568 garrafas da cerveja belorizontina já foram entregues em BH
A Polícia Civil investiga a presença de dietilenoglicol em cervejas da marca Belorizontina, produzidas pela Backer, empresa de Belo Horizonte. A substância teria provocado uma síndrome nefroneural que afetou 18 pessoas em Minas Gerais. O caso vem mobilizando as autoridades de saúde desde o início de janeiro.
Os sintomas da síndrome podem incluir náusea, vômito e dor abdominal, evoluindo rapidamente para insuficiência renal e alterações neurológicas. A intoxicação por dietilenoglicol foi confirmada em quatro casos, entre os quais o de um paciente que morreu em Juiz de Fora.
Além da morte registrada em Juiz de Fora, a Polícia Civil confirmou outros dois óbitos em Belo Horizonte. Antônio Márcio Quintão de Freitas morreu na quarta-feira (15). A terceira vítima é um homem de 89 anos, que faleceu na madrugada desta quinta-feira (16).
Uma quarta morte é investigada em Pompéu, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais. Este caso não consta no último balanço oficial da SES, mas a Secretaria Municipal de Pompéu informou ter notificado a pasta estadual.
Cervejaria Backer, no bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte
Odilon Amaral/TV Globo
A cervejaria Backer negou que usa o dietilenoglicol no processo de fabricação de cerveja. A substância é um anticongelante. Especialistas dizem que ela não é usada na indústria cervejeira por não ser do gênero alimentício. A Backer disse utiliza o monoetilenoglicol no resfriamento das serpentinas.
As duas substâncias foram encontradas em garrafas, mas o monoetilenoglicol é considerado menos tóxico.
Como o caso veio à tona?
O caso veio à tona no dia 6 de janeiro após circularem informações nas redes sociais de que pessoas de uma mesma família estariam hospitalizadas, em estado grave, com sintomas de uma doença ainda desconhecida.
Havia informações de que essas pessoas teriam comprado a cerveja Belorizontina em supermercados do Bairro Buritis. A empresa Backer, que fabrica a Belorizontina, negou que a bebida possa ter relação com os sintomas apresentados pelos pacientes e chegou a declarar que as mensagens eram mentirosas.
Uma amiga da família do paciente que morreu disse ao G1 que não havia a confirmação de que ele tenha tomado a cerveja. A Vigilância Sanitária de Belo Horizonte recolheu produtos para análise.
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Quais são os lotes contaminados?
Até o momento, o dietilenoglicol foi encontrado pela Polícia Civil em três lotes da cerveja Belorizontina: L1 1348, L2 1348 E L2 1354. A Backer considera que são dois lotes, sendo L1 1348 e L2 1348 linhas diferentes de um mesmo lote.
O Ministério da Agricultura identificou a substância tóxica em seis lotes da cerveja Belorizontina. São eles: L2 1354, L2 1348, L2 1197, L2 1604, L2 1455 e L2 1464. A pasta também confirmou a contaminação do lote L2 1348 da cerveja Capixaba, que é a mesma cerveja, mas usa um rótulo diferente.
Houve contaminação no tanque da Backer?
Sim. A Polícia Civil disse em entrevista coletiva nesta segunda-feira (13) que a substância dietilenoglicol foi encontrada em um dos tanques da cervejaria Backer, em Belo Horizonte.
A empresa nega que usa a substância no processo de fabricação. No mesmo tanque foi encontrada a presença de monoetilenoglicol, que é usada pela Backer como anticongelante de serpentinas e tem menor toxicidade.
A cervejaria foi interditada?
Sim. Nesta sexta-feira (10), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) interditou a fábrica. Técnicos do ministério foram ao local e decidiram periciar todos os lotes de cerveja. O Mapa afirmou que apreendeu 16 mil litros de cerveja e que faz analises laboratoriais em amostras.
O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou nesta segunda-feira (13) que intimou a cervejaria a realizar recall de todas as cervejas e chopes da empresa e também suspender a venda de qualquer produto da marca até que seja descartada a possibilidade de contaminação de demais produtos.
A medida abrange qualquer rótulo da cerveja, além dos chopes, fabricado entre outubro de 2019 e esta segunda-feira (13).
Onde o lote contaminado pode ser encontrado no Brasil?
O lote 1348, das linhas de produção L1 e L2 , da cerveja Belorizontina, fabricada pela Backer, foram vendidos para Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Distrito Federal, segundo a empresa. Duas amostras destas séries estavam contaminadas com a substância tóxica dietilenoglicol, de acordo com perícia da Polícia Civil.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou nesta sexta-feira (10) o recolhimento do produto em todo o país.
Quais são os sintomas da síndrome nefroneural?
Os sintomas se iniciam com náusea/vômito e/ou dor abdominal, associados à insuficiência renal aguda grave de evolução rápida, em até 72 horas. Além disso, há alterações neurológicas, como paralisia facial e borramento visual. A média de dias entre o início dos primeiros sintomas e a internação foi de 2,5 dias.
Quantos casos foram identificados até agora?
Cidades de Minas Gerais onde casos da síndrome nefroneural foram registrados
Reprodução/TV Globo
Até a última atualização desta reportagem, nesta quarta-feira (15), 18 haviam apresentado insuficiência renal e alterações neurológicas com rápida evolução. Três mortes foram confirmadas. A primeira vítima fatal foi Paschoal Dermatini Filho, que morreu em Juiz de Fora. As outras são dois homens que estavam internados em um hospital particular de Belo Horizonte.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, há notificações nas cidades de Nova Lima, na Região Metropolitana; São João Del Rei, no Campo das Vertentes; São Lourenço, no Sul de Minas; Ubá e Viçosa, na Zona da Mata.
Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, morreu em Juiz de Fora
Redes Sociais/Reprodução
A substância foi encontrada no sangue de pacientes?
Sim. De acordo com as investigações, exames de sangue de quatro vítimas deram positivo para a presença de dietilenoglicol, substância que pode ter provocado os sintomas de insuficiência renal e alterações neurológicas. As amostras de sangue, no entanto, não detectaram a presença de monoetilenoglicol.
Qual dose de dietilenoglicol pode ser letal?
De acordo com o superintendente da Polícia Técnico-Científica da Polícia Civil, Tales Bittencourt, a contaminação por dietilenoglicol pode ser letal com a dosagem entre 0,014mg por quilo a 0,17 mg por quilo.
“Isso significa que a dose letal para um homem de 70 quilos pode ser entre 1 grama a 12 gramas” , afirmou.
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A polícia trabalha com a hipótese de sabotagem?
A Polícia Civil investiga se um ex-funcionário participou de suposta sabotagem na contaminação da cerveja. No fim do ano passado, um supervisor da cervejaria chegou a registrar boletim de ocorrência de contra o ex-trabalhador, que o ameaçou.
“Não posso afirmar se foi sabotagem ou se foi erro”, disse Flávio Grossi Delegado titular do inquérito na coletiva.
Outros lotes da Belorizontina devem ser consumidos?
Em entrevista coletiva nesta terça-feira (14), a diretora de Marketing da Backer, Paula Lebbos, pediu para que os clientes não consumam a cerveja Belorizontina e a Capixaba, que eram produzidas no mesmo tanque, até que as investigações sejam concluídas. Neste tanque já foi constatada a presença de dietilenoglicol pela perícia da Polícia Civil.
A substância pode ter provocado a síndrome nefroneural, que provoca insuficiência renal e alterações neurológicas.
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